quarta-feira, 2 de abril de 2014

Capítulo 5 - Pode piorar? Claro!


Sabe aquele conceito de que nada mais pode dar errado? Isso não existe. Já dizia Murphy, tudo pode piorar. Ele entendia bem dessas coisas.
Vejamos bem, eu estava caidinha por meu professor de cálculo, meu melhor amigo estava namorando uma maniaca e  irmã do meu segundo maior arqui-inimigo. 
O primeiro vocês vão ficar sabendo ainda, porque com a sorte que eu tenho, não tenho dúvidas que logo ele dá as caras por aqui.
E claro, o dia tinha que ser ainda mais maravilhoso com um teste surpresa, que como todo digno teste surpresa, ninguém havia estudado, e logicamente que era do professor mais pé-no-saco de toda a ala de engenharia daquela universidade.  O cara conseguia ser pior que o Nelson, tanto que nem ele o aguentava. Sai da sala sentindo que minha vida acadêmica tinha acabado de levar um tiro na testa, e veio outro golpe.
Sabe quando você só sente falta das coisas quando elas somem? 
Não ignore essa frase de radio-novela, porque é a verdade da vida. Nada como a falta de um idiota lhe abraçando no corredor lhe apelidando de Hobbit ou algo assim para comprovar isso. Igor estava ocupado demais se pegando com a loira do banheiro...
Sim, eu estava com ciúmes do meu melhor amigo. Acontece quando você só tem dois amigos e um primo-irmão no mundo que de fato se importam com você. Agora meu primo-irmão estava na Africa, meu melhor amigo estava em algum canto escuro com uma psicopata e minha amiga devia estar em casa batizando a mesa, balcão e paredes com o namorado mané dela.
E eu, claro, em toda minha maturidade reclamando da felicidade alheia.
"Recalque, eles dão esse nome."
Lá vinha minha voz inteiro me encher o saco, devia ser a fome, era isso. 
"Pelo menos você pode pegar no pé deles no cinema hoje. Faça essa ladra de amigos pagar. "
Claro consciência, mas ela não me roubou ele. Ele sempre será meu melhor amigo.
"Se prefere acreditar nisso. É para ela que ele vai dar os biscoitos em forma de bichinhos, vai contar sobre Star Wars, e ligar quando sair os episódios de Game of Trones..."
Ok, cale-se. Preciso de um psiquiatra.
"Você precisa é de sexo."
- Chega! Eu não preciso de Sexo!
Um silêncio repentino.
Virei meu rosto mortificado ao notar todo mundo me olhando. Eu tinha mesmo falado aquilo em voz alta. Atitude mais madura, continuei tomando meu suco e fingindo que nada aconteceu.
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Como você pode  prever que a namorada de seu melhor amigo vai aprontar para seu lado:
1 - Ela te odeia mas está te tratando bem.
2 - Ela passa de repente a surgir em todos os lugares que você está no decorrer do dia. E sempre acontece algo "acidentalmente estranho" nesses momentos. 
3 - Você é trancada misteriosamente no banheiro da universidade. 
4 - Ela te chama de "Zuzinha" na frente do retardado do namorado, quando na verdade os olhos dela dizem "vou te partir em pedacinhos. "
5 - Um balde de água (COMO É??) quase despenca na sua cabeça quando você está passando pela pilastra do segundo andar. O andar de cima, o do curso da vadia.
Mas claro que isso tudo podia ser apenas coincidência.

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Já passava das seis quando eu consegui me livrar da universidade. Eu procurava Igor, ia para casa dele me arrumar por lá mesmo, já que minha casa devia estar sendo ainda muito utilizada, segundo a mensagem de Tina para que eu não me aparecesse por lá tão cedo. Eu tinha roupas na casa de Igor para essas situações, eu ia para lá as vezes assistir filme, jogar video-game, falar das frustrações... bons tempos.
Se bem que infernizar a namorada dele parecia mais divertido.
"Super madura."
Peguei o celular para ligar para Igor quando chega a mensagem do dito cujo.
"Estou do andar de baixo, saindo do laboratório. O elevador está quebrado, pega o de serviço."
Revirei os olhos.
"Te espero aqui."
Segundos depois.
"Preciso de ajuda para carregar a gaiola do Dallas e o material."
Que ótimo, o rato que ele usa no projeto dele.
"Se vira."
Sou uma boa amiga.
"Por favor ^^'  :( "
Mandou carinha triste.  Tsc.
"Apelão. To indo."
Preciso aprender a ser durona, por Deus.
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A ruiva me olhou atenta.
- E o que aconteceu?
- Entrei no elevador, você estava nele. Dai ele parou. - completei sentada no chão com a garota inglesa a minha frente curiosa, e graças ao bom pai, mais calma.
- Mas não entendi, por que diz que foi a namorada dele?
Tirei meu celular e mostrei para ela enfadada a mensagem.
"Pegadinha do malandro Zuzinha!"
Ela arregalou os olhos verdes.
- Ela...
- Usou o celular dele, me fez vir até aqui e deve ter parado o elevador pelo lado de fora.
- Mas seu amigo deve perceber que você não apareceu.
Dei de ombros.
- Ela deve ter mentido. Dito que eu desmarquei, e ele caiu feito um trouxa, como todo cara apaixonado.
Ela assentiu como se entendesse.
Ficamos em silêncio por um tempo. Já devia passar das onze, eu acreditava. Não queria dormir naquele lugar.
- E você? O que fazia nessa ala?
Antes que ela pudesse responder, ouvimos um barulho e o elevador deu um solavanco que nos colocou de pé e começou a se mover. Ela rasgou um sorriso para mim e suspirei aliviada quando vi que finalmente íamos sair dessa.
Nunca fiquei tão feliz em ver a cara do zelador da universidade.
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Me despedi de Sarah no ponto de ônibus para o campus, enquanto ia pegar um táxi para minha rua, a não ser que quisesse ir de bicicleta e meu corpo surgisse no rio meses depois.
Eu estava exausta, puta da vida, só queria um descanso e um plano para foder com a vida da Mira. Mas claro que quando as mensagens começaram a pipocar eu vi que as coisas estavam bem piores do que imaginei. Haviam ao menos três ligações de Igor, e doze da Valentina.
Me senti mal por pensar que ele não teriam notado minha falta, isso até ligar para meu melhor amigo e ouvir a voz irritada do outro lado da linha.
- Ayzu.
- Igor! Eu ti...
- Só quero dizer uma coisa. - Ele me cortou com um suspiro. - Eu gosto dela Ayzu. Se não queria ir, era só falar, e não deixar a gente plantado.
- Quer me escutar...
- Eu quero que isso dê  certo! - Ela completou frustrado, como se não me ouvisse. - Ela gosta de mim, de verdade, e eu dela, e isso nunca aconteceu antes então eu só... Você é minha melhor amiga, eu quero muito que vocês se deem bem...Mira me disse que você não gosta dela.
Eu abri minha boca sem saber o que falar.
-Por favor Ayzu, apenas...tente.
Engoli em seco. Não sabia o que falar com aquilo. Ela era uma vadia. Ela tinha me trancado na porra de um elevador. Declarado guerra.
Mas Igor era meu irmão. E gostava daquela psicopata.
- Certo. - falei debilmente e ouvi um suspiro aliviado, a tensão da voz dele sumindo.
- Ok! Amanhã te ligo, tenho um monte de coisas para te contar.
Quase sorri com a voz animada dele, apenas ouvi até ele desligar e suspirei, esquecendo até as ligações da Tina. 
"É  filha, sua vida está se enrolando mais do que seus fones de ouvido na bolsa."
Mas ainda tinha mais merda para fechar o dia com chave de ouro. 
Quando chego na porta de casa e pago o táxi estranho em não ver o carro de Diego na porta, afinal, Valentina disse que ele só iria embora no outro dia.
Entrei e todas as luzes estavam acesas, e haviam coisas quebradas no chão, um vaso, uma cadeira virada.
Olhei espantada.
- Valentina!
Chamei e ouvi um fungado que quase me mata do coração vindo da escada logo a minhas costas, virei e a vi no topo. Moletom furado, cabelo bagunçado, pote de sorvete na mão. Olhos inchados.
- Ele terminou comigo. - Falou com a voz baixa me olhando com os olhos já cheios de lágrimas.
"Nunca diga que não pode piorar."
Valeu mesmo Murphy. Legal.   

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