segunda-feira, 21 de abril de 2014

Capítulo 6 - Valentina pirou!

Bate palmas quem já cometeu um assassinato mental.
Ultimamente, eu venho fazendo muito isso. Mas não um simples assassinato, não. Do tipo doloroso e lento...muito lentamente...lentamente...
- Você está com aquele olhar de novo.
Igor jogou uma cereja na minha cabeça do balcão e acordei da minha fantasia para terminar de organizar minha pilha de contas. Geralmente quem fazia isso era Tina. Ela era a responsável com nosso dinheiro, por que por mim, eu não sabia nem fazer uma transferência pela internet sem acabar com o dinheiro desviado para a puta que pariu, e não podia ir enfrentar uma fila de banco sem acabar me metendo em algum problema por sonhar acordada.
Pois é, as coisas mudam. 
- Continua comendo seu bolo calado. - resmunguei tentando colocar alguma ordem naquela papelada dos infernos. - E não sei do que está falando.
- Sabe sim. - Igor digitava as contas em uma tabela, bendito, para me ajudar a colocar coerências antes que acabasse despejada. Eu achava um milagre a fulaninha ter liberado ele uma tarde inteira e agora já parte da noite sem ter ligado ainda. Até aquela psicopata estava com pena de mim eu acho.  Claro que ele não saia do celular mandando mensagens, mas ao menos ele estava ali comigo, firme e forte, enfrentando aquela crise chamada: Valentina deprimida. 
É, meus amigos. Se vocês estão imaginado a depressão dela do tipo que a encontrei na primeira noite, entre sorvetes e filmes demodé... quem dera. Ela tinha dado uma bela de uma pirada, isso sim. Há uma semana que Valentina não pisava na universidade, passava a noite em baladas, bebia até cair e eu ter que ir buscar ela. Sem falar que ela não estava dispensando ninguém. Eu estava dormindo tanto quanto ela, esperando no telefone a qualquer momento alguma desgraça, isso quando não ia com ela para evitar alguma merda maior. E isso há uma semana dos testes na universidade, onde eu tinha que manter minha bolsa, e elas as notas dela, ou seu pai, que parecia saber das noticias mais rapidamente do que Batman na torre da liga, iria bater no nosso apartamento para saber que ET abduziu sua filha. E acreditem, ser visitada pelo pai da Valentina não era uma coisa boa, ainda mais se ele descobrisse da tatuagem com que ele havia aparecido esses dias, e que eu vinha rezando que fosse temporária. O homem era assustador, e de quebra podia acabar trazendo a sobrinha dele, que sempre arranjava desculpas para nos visitar. E claro, para tentar me agarrar ou arrastar Igor para uma boate Gay, por que dizia que ele era muito fofo para ser hétero.
Sim, ela era pirada. Eu não queria uma visita dela, de jeito nenhum. 
Sem falar que não queria acabar tendo noticias do corpo da Tina boiando no rio com os sumiços dela. E tudo aquilo era culpa de uma pessoa apenas. 
- Você quer matar o Diego, deve ter matado ele mentalmente agora mesmo.
Esse maldito me conhecia mesmo bem.
- Mas Valentina não quer que a  gente apronte com o Zé Bostola, o que não consigo entender. -  Ele resmungou. - Quer dizer, o cara chifrou ela.
- Não fale assim. - me mexi incomodada.
- Ok. O dito rapaz praticou atos sexuais com outra fêmea mesmo estando em compromisso com Valentina. Melhorou?
Apenas revirei os olhos. Ele não precisava me lembrar disso. Eu que tinha consolado Valentina por uma noite inteira enquanto ela me contava a história e ficava perguntando sem parar se tinha algum problema com ela. Bom, era tipo a terceira vez que isso acontecia, e dessa vez, ela estava noiva do sujeito.
"Filha, o problema não é você, e sim seu dedinho podre. Só se apaixona por mané."
- E além de tudo, passou dias aqui, sabendo que ia terminar com ela quando fosse embora, se aproveitando. Não entendo por que ela protege ele ainda. Mulheres são malucas.
- Me tire da lista. Ele não deveria ter saído daqui sem ter perdido uma parte importante do corpo, em minha opinião.
"Do sistema reprodutor, de preferência."
Igor tremeu e me encarou pálido.
- Eu tenho muito medo de você. 
Não tive tempo de revidar. A campainha tocou e minha ex-responsável amiga veio da cozinha saltitando com uma roupa pronta para matar na balada, salto quinze, mundana e em toda sua falsa alegria para abrir a porta. A porta abriu com estrondo e entrou uma garota loira com malas, óculos colorido e roupa de motoqueira vermelha.
E não, não era Mariana. Pela primeira vez na vida, eu preferia que fosse ela. 
- Valentina! Priminha! Me chamou, eu vim!
Eu não estava acreditando. Eu iria matar aquela ruiva, eu não estava acreditava que ela havia chamado aquela companheira de guerra dela, dos tempos em que ela era rebelde sem causa.
Igor me olhou desesperado, os olhos arregalados. Eu não estava diferente. Nos erguemos ao mesmo tempo procurando uma rota de fuga.
- Janela! - sibilei.
E corremos para lá. Só que o maldito me empurrou para ir primeiro, e não tive tempo de reagir. Só ouvi o grito escandaloso.
- Saki!!
Senti dois braços me puxando pela cintura por trás e lá estava eu envolvida em um perfume forte, com dois peitos me sufocando.  
- LARGA! LARGA!
- Saki, isso não é jeito de falar com sua amiga. - ela continuava se esfregando, e eu perdia meu ar. - Você continua tão fofa!
- Socorro! Soc...argh!
- Cadê o Igorzinho? 
- Larga ela Monalisa. - Ouvi a voz divertida de Valentina e me controlei para respirar quando me vi livre daquele monstro que ela chamava de prima. Fuzilei Valentina que me pediu desculpas com os olhos, e pela expressão nervosa dela, minha cara devia estar no terceiro grau demôniaco meu. - Mona, vai guardar suas malas vai... - pediu nervosa.
A loira me deu uma ultima olhada e coloquei uma cadeira na minha frente por precaução a advertindo com um olhar. Ela apenas riu e me mandou um beijo antes de sair arrastando a mala murmurando coisas como "fofa", "arredia" e "inocente."
Quando me vi livre do perigo encarei a loira e ela coçou a cabeça.
- Você não fez isso. - Sibilei.
- Ou ela vinha, ou meu pai. Pelo menos ela pode...hum...encobrir esses pequenos probleminhas passageiros...Ayz...
- Não.
- Por favor... - Ela encheu os olhos de lágrimas. - É só uma semana, tudo vai melhorar, eu só preciso disso sabe...
- Não!
- Ayz...
Oh meu Deus, ela estava chorando. Fechei os olhos sabendo que me arrependeria amargamente. 
- No seu quarto. Se ela aparecer no meu...
- Eu prometo! 
- E você vai parar de beber para morrer, e não vai usar nada que ele lhe der!
- Claro!
Não acreditei muito. Valentina sumiu da minha vista sabendo que sobraria para ela quando me tocasse que tinha acabado de fazer uma escolha suicida.
Suspirei tentando me acalmar.
Só então virei para a janela.
- Barra limpa, seu covarde!
Igor pulou de volta para a sala com cara envergonhada e sujo de terra. Nos encaramos por um bom tempo. Alguém teria que pagar por aquela situação, e só havia um culpado. Um culpado que tinha um carro que amava mais que a própria vida. 
- Eu arranjo um carro para sexta. - Igor falou lendo meus pensamentos.
- Eu consigo o spray e o álibi.
Eu podia não matar Diego, mas nós daríamos a ele uma aula de arte.

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